Quais as reais intenções de Carlos Almeida há mais de 1 ano afastado do governo?

Desde que pediu exoneração da Casa Civil, Carlos Almeida surge, esporadicamente, tentando manchetes na imprensa e se apresentando como o baluarte da moralidade, mesmo que recebendo seu salário regularmente sem trabalhar

Manaus | AM

No dia 18 de maio de 2020, o vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida (PSDB), pediu exoneração da chefia da Casa Civil do Estado e divulgou uma longa carta em que dizia que o que o credenciou a concorrer nas últimas eleições foi o que ele classificou de “paixão pelo exercício do ofício de defensor” e sua trajetória na defesa dos direitos da população.

Um ano e dois meses depois do pedido de exoneração, o vice-governador parece não só ter abandonado a causa que diz sempre ter defendido, como também esquecido o compromisso que deveria honrar pelos votos que recebeu, mesmo que grande parte deles tenha herdado da então popularidade do cabeça de chapa, Wilson Lima.

Os fatos comprovam o abandono. Sem exercer o ofício de defensor público, Carlos Almeida também não seguiu com nenhum dos ‘projetos estruturantes’, especialmente de moradia, que chegou a anunciar que se dedicaria à época que saiu da Casa Civil. Também não despacha na sede do governo como vice-governador há mais de 1 ano, mesmo mantendo o salário mensal de R$ 33.263,55, o que já custou ao Estado mais de R$ 450 mil desde que entregou a tal carta de exoneração.

Desde então, Almeida surge, esporadicamente, tentando manchetes na imprensa e se apresentando como o baluarte da moralidade, mesmo que recebendo seu salário regularmente sem trabalhar. Hoje, novamente agiu para ganhar manchetes em mais uma tentativa de se apresentar como símbolo da ética, tratando de segurança pública, tema que não lhe é familiar na sua trajetória de homem público.

Sem qualquer critério técnico plausível, e atentando contra a prerrogativa do chefe do Executivo, divulgou que exonerou o atual secretário de Segurança Pública e nomeou, em seu lugar, o comissário da Polícia Civil, Mário Aufiero. O tal ato de exoneração e nomeação não chegou a ser divulgado oficialmente pelo Estado, apenas surgiu em formato de PDF em sites locais. Mário Aufiero já chegou a ocupar os quadros do atual governo, onde esteve pelas mãos do vice-governador.

Na nota que divulgou à imprensa, Carlos Almeida diz que a Constituição do Estado dá amparo ao ato de substituição no comando da Segurança Pública do Estado, pois, segundo ele, na ausência de Wilson Lima, ele assumiria interinamente de forma automática. Contudo, não apresentou em qual artigo da referida Constituição está previsto que o vice-governador assume automaticamente e a qualquer tempo.

A Constituição estadual só trata do assunto quando o afastamento do governador exceder 15 dias. De acordo com a assessoria do governo, WIlson Lima cumpriu agenda nesta quint-feira (22), em Brasília, onde permaneceu por menos de 24 horas.

A Constituição do Estado diz, no Capítulo IV, artigo 47, que o poder executivo é exercido pelo governador, com auxílio dos secretários de Estado. Diz, ainda, em seu parágrafo único, que o vice-governador auxiliará o governador do Estado sempre que por ele convocado para missões especiais, podendo exercer cargos ou funções de confiança e atribuições que lhe forem conferidas em lei complementar. Entre as atribuições privativas do governador, segundo o artigo 54 está a de nomear e exonerar secretários de Estado.

Assim, resta saber, qual as verdadeiras intenções do vice-governador em suas aparições midiáticas. Será que ele sabe, como homem do sistema de Justiça, que pode renunciar a esse governo que diz não compactuar?

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