Com sala de guerra, Facebook tenta convencer que é páreo para fake news

NEGÓCIOS | Depois de denúncias sobre vazamentos de dados e manipulações de informações, rede social montou time para remover notícias falsas e discurso de ódio

20/10/2018 07:30

Comunicar Erro

NEGÓCIOS | Em uma sala aparentemente comum em sua sede na Califórnia, o Facebook acaba de montar uma operação de guerra para acompanhar envios de fake news, discursos de ódio e riscos à democracia. No entanto, não deu muitos detalhes sobre as ações que estaria tomando contra essas ameaças.

O Facebook busca recuperar sua imagem depois que a rede social foi envolvida em um escândalo do vazamento de dados de milhões de usuários pela Cambridge Analytica e a manipulação, por entidades ligadas à Rússia, de dados nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016.

Atualmente, é o Whatsapp, empresa de mensagens do mesmo grupo, que está envolvido em caso de Caixa 2 do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL). De acordo com uma matéria da Folha de S.Paulo, empresas teriam pagado para agências divulgarem conteúdo favorável ao candidato e contra seu adversário, Fernando Haddad (PT), na rede social.

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Whatsapp informou que o disparo de mensagens em massa viola os Termos de Uso do aplicativo e que “tem proativamente banido centenas de milhares de contas durante o período das eleições brasileiras”.

A empresa foi, inclusive, chamada para se reunir com o Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para discutir a proliferação de notícias falsas.

Por outro lado, o Facebook disse que está satisfeito com seu trabalho durante as eleições brasileiras. “Ficamos encantados em ver o quanto conseguimos ser eficientes, do ponto de detecção ao ponto de ação”, disse Samidh Chakrabarti, chefe de engajamento cívico do Facebook, à Bloomberg.

Em guerra

A “sala de guerra”, montada na Califórnia, é mais uma forma da empresa mostrar que está preocupada com o tema. A operação foi iniciada em setembro e, com múltiplas eleições a caminho em todos os lugares do mundo, deve continuar funcionando por algum tempo.

“Essa vai ser uma corrida armada, constante”, disse Katie Harbath, diretora do Facebook de política global e de divulgação do governo ao The Verge. “Este é o nosso novo normal. Os agentes ruins vão ficar mais sofisticados no que estão fazendo, e teremos que ficar mais sofisticados tentando pegá-los.”