Ricardo Nicolau defende convocação de Arthur Neto na CPI da Pandemia: ‘Tem muito a explicar’

Manaus-AM- O deputado Ricardo Nicolau (PSD-AM) defendeu nesta quinta-feira (27), a convocação do ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto (PSDB-AM), para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia. Declarações foram dadas na Assembleia Legislartiva do Amazonas (Aleam).

Para Ricardo Nicolau , o ex-prefeito da capital amazonense tem muito a explicar na CPI – no Senado Federal.

“Foi na sua administração a primeira onda (da Covid-19). O ex-prefeito Arthur Neto ainda pegou na sua administração, no mês de dezembro, a segunda onda, que foi mais letal e que foi mais dolorida ao povo da cidade de Manaus. Ele precisa explicar o que foi feito de verdade. Não aquelas explicações midiáticas, mas na prática, o que foi realizado, o que foi planejado, o que foi deixado pela administração passada para a próxima poder enfrentar esse grave problema.”, disse.

Ainda para Ricardo Nicolau, a gestão de Arthur Neto foi de ineficiente a negligente diante da pandemia da Covid-19 e da crise na saúde, e o ex-prefeito estaria pensando em ganhar dinheiro em um momento em que pessoas morriam vítimas do vírus.

“Eu vi por parte do prefeito, da secretaria (municipal de saúde), ineficiência, negligência e falta de cuidado e falta de amor com o ser humano. Infelizmente, não cabe na cabeça de nenhuma pessoa, num momento difícil, num momento de dor, de sofrimento, em que pessoas estavam morrendo, você pensar que um administrador estivesse pensando em ganhar dinheiro, estivesse pensando em fazer acordos espúrios, para ganhar dinheiro em detrimento da vida. Porque enquanto estavam gastando dinheiro para se beneficiar, vidas eram perdidas.”, declarou.

O parlamentar apontou indicíos de irregularidades em diversos contratações feitas na gestão de Arthur Neto para o hospital de campanha municipal.

“Contrato com lavandeira, quilo da roupa no mercado saindo por pouco mais de R$ 3, o quilo da roupa adquirido, contratado pelo prefeito Arthur: R$ 11, e o mais grave: nem balança tinha, certamente esse quilos foram também colocados a mais; esterilização, um serviço que não era R$ 50 mil, foi contratado por R$ 500 mil; serviços de limpeza, que é uma contratação direta da prefeitura, serviço contratado por mais de R$ 3 milhões para um hospital temporário, de um andar só, um hospital grande, mas não tão para esse valor.”, afirmou.

Ricardo Nicolau também citou uma compra de 250 mil comprimidos de azitromicina, para o hospital de campanha, por R$ 850 mil.

“O protocolo da azitromicida são cinco dias, um comprimido por dia. Era para pagar R$ 500 na caixa mas pagou R$ 1,5 mil. Eu afirmo que não entrou mais de 5 mil comprimidos no hospital de campanha.”, afirmou ainda o parlamentar.

Hospital e parceria rompida

O Hospital de Campanha Gilberto Novaes foi inaugurado em 13 de abril e desativado em 15 de junho de 2020. A prefeitura alegou que a desmontagem se dava pela queda de casos da doença e que o hospital voltaria a funcionar como escola. Foi quando também acabou a parceria com o grupo Samel, cujo o presidente, Luiz Alberto Nicolau, acusou Arthur de ter usado a unidade de saúde para fazer “publicidade”.

O Grupo Samel informou que, em nenhum momento, concordou com o fechamento do Hospital de Campanha Gilberto Novaes, que salvou “tantas vidas” durante o primeiro pico da pandemia de Covid-19 em Manaus.

Segundo o Grupo, logo após o anúncio do fechamento do Hospital de Campanha de Manaus pela prefeitura da capital, a Samel, em conjunto com o Instituto Transire, tentou realizar um empréstimo dos equipamentos cedidos por ambas as instituições ao Hospital de Campanha de Roraima, que não possuía estrutura para lidar com a pandemia, sendo impedidas pela prefeitura.

Somente alguns equipamentos doados pelo próprio Governo Federal foram levados ao Hospital de Campanha de Roraima, que também foi administrado gratuitamente pelo Grupo Samel, que contribuiu com a doação das cápsulas Vanessa, método desenvolvido pela equipe de fisioterapia dos Hospitais Samel, e aprimorado pelo Instituto Transire, “cuja eficiência tem sido comprovada na prática.”

Ainda segundo a empresa, antes do fechamento do Hospital de Campanha Gilberto Novaes, o Grupo Samel realizou a transição da administração da unidade à Prefeitura de Manaus e elaborou um projeto contendo orientações técnicas para que o hospital de campanha fosse mantido após a pandemia, passando a realizar cirurgias eletivas.

De acordo com Ricardo Nicolau, diretor do grupo, a unidade teria capacidade para realizar ao menos 1,5 mil procedimentos cirúrgicos planejados por mês.

 

 

 

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