MP-AM ajuíza ação de improbidade administrativa e ação penal contra ex-prefeito de Manaquiri

De acordo com o MP-AM, o ex-prefeito de Manaquiri, o ex-secretário de Finanças da cidade, e um empresário operaram um suposto esquema de emissão de notas fiscais frias para fraude no fornecimento de combustíveis

Manaus | AM | Com informações da assessoria de imprensa

O Ministério Público do Amazonas (MP-AM), por meio da Promotoria de Justiça de Manaquiri, ajuizou duas ações, uma por ato de improbidade administrativa e outra penal, contra o ex-prefeito e o ex-secretário de Finanças de Manaquiri, Aguinaldo Martins Rodrigues e Adroaldo Martins Rodrigues, respectivamente, e contra o empresário Cleocivaldo Silva de Souza.

De acordo com o MP-AM, os três operaram um suposto esquema de emissão de notas fiscais frias para fraude no fornecimento de combustíveis. As ações foram ajuizadas no dia 31 de dezembro de 2021. “Na ação penal, foram denunciados vários crimes, tais como peculato, corrupção passiva e ativa (pagamento de propina aos agentes públicos no valor de R$ 500 mil) e falsidade ideológica. O empresário emitia nota de fiscal de serviço a maior, discriminando quantitativo não fornecido. O pagamento desse valor excedente era autorizado pelo ex-prefeito e pelo ex-secretário de Finanças e retornou para eles em forma de propina”, explicou o promotor de Justiça, Flávio Silveira.

A suposta fraude, mediante utilização de notas frias, também constitui ato de improbidade administrativa de Aguinaldo, Adroaldo e Clecivaldo. Ainda foi acionado por improbidade o ex-secretário de Educação de Manaquiri, Jorge Gamas dos Santos, que, em conjunto com o ex-prefeito, comprou material escolar superfaturado, causando prejuízo aos cofres públicos.

Segundo a investigação, ainda em 2012, no período de pré-eleições, na condição de futuros exercentes dos cargos de prefeito e de secretário de Finanças, Aguinaldo e Adroaldo ajustaram que, caso vencessem o pleitos, direcionariam a contratação da empresa de Cleocivaldo, fraudando licitações em seu favor. Como contrapartida, o empresário se comprometeu a pagar propina aos agentes públicos.

Além desses crimes, o ex-prefeito e o ex-secretário de Finanças promoveram vários saques em espécie, na ‘boca-do-caixa’ das contas da Prefeitura de Manaquiri sem qualquer justificativa, praticando crimes de peculato, desviando do erário o valor de R$ 1.672.148.

No ano seguinte, quando da apresentação da prestação de contas ao Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) do exercício de 2013, os dois inseriram declarações falsas no Processo n. 11.076/2014-TCE, para disfarçar desfalque de mais de R$ 420 mil, apenas em contratos com a empresa Cleocivaldo.

Ao julgar a prestação de contas do exercício de 2013, o TCE-AM constatou gastos não comprovados promovidos por Aguinaldo Martins Rodrigues nos valores de R$ 1,2 milhão em serviços e R$ 1,5 milhão em produtos.

Na ação penal, o MP-AM pede a condenação de Aguinaldo Martins Rodrigues e Adroaldo Martins Rodrigues pela prática dos delitos de corrupção passiva, falsidade ideológica de documento público e peculato, por 12 vezes e a condenação de Cleocivaldo Silva de Souza pela prática de corrupção ativa.

Já na ação de improbidade, é pedida a condenação dos envolvidos à suspensão dos direitos políticos, multa e reparação dos danos no valor de R$ 4.940.825,04, que, atualizado, ultrapassa mais de R$ 10 milhões.

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