Wilson Lima, seguindo sugestões de Wilker, Romero, Chico, Arthur e Péricles, reabre comércio mesmo sob ameaça de falta de leitos em hospitais

Desde que anunciou as novas restrições, na última quarta-feira (23), inúmeros políticos sugeriram que o governador Wilson Lima suspendesse o decreto governamental e flexibilizasse o comércio em Manaus

Manaus | AM

Desde que o governador Wilson Lima anunciou novas diretrizes de combate a proliferação do novo coronavírus (Cocvid-19), na capital do Estado, na última quarta-feira (23), inúmeros políticos do Amazonas, incluindo o prefeito Arthur Neto, se manifestaram contra a decisão em vídeos publicados nas redes sociais.

Já na madrugada deste domingo (27), Lima decidiu então seguir as orientações dos deputados Wilker Barreto e Péricles, do vereador Chico Preto e do ex-candidato à Prefeitura de Manaus, Romero Reis, e flexibilizar o funcionamento do comércio, mesmo com a possível falta de leitos nos hospitais, após as inúmeras festas de final de ano.

Ainda na última quarta-feira, o deputado estadual Wilker Barreto disse que recebeu o decreto governamental com muita preocupação, “mas a situação das famílias que precisam ganhar seu pão de cada dia” também o preocupavam. “Quem vai ‘matar’ a fome do povo nos 15 dias de ‘lockdown’? Faça alguma coisa para amenizar o sofrimento daquele que precisa alimentar seus filhos”, disse ele.

Já o deputado estadual Delegado Péricles, afirmou que as novas diretrizes prejudicavam diretamente milhares de pessoas. “É um ato absurdo (…) e que atinge aquelas pessoas que já estão fragilizadas por todo o período que vivemos de pandemia”. Ele destacou, ainda, que é muito mais conveniente atingir “essas pessoas” que cumprem rigorosamente os protocolos de segurança. “Eu frequentei shoppings, lojas, restaurantes e vi que eles atendiam a segurança necessária para combater a Covid”.

De acordo com dados divulgados, neste sábado, pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), entre os casos confirmados de Covid-19 no Amazonas, há 598 pacientes internados, sendo 359 em leitos (99 na rede privada e 260 na rede pública), 235 em UTI (75 na rede privada e 160 na rede pública) e quatro em sala vermelha, estrutura voltada à assistência temporária para estabilização de pacientes críticos/graves para posterior encaminhamento a outros pontos da rede de atenção à saúde.

O vereador Chico Preto falou que o decreto “ameaça de ‘morte’ as empresas e os empregos de milhares de trabalhadores” e reforçou que o sistema de saúde está em colapso. “É hora de revogar esse decreto e concentrar esforços para aumentar o número de leitos. Promover efetivamente a reestruturação da saúde e garantir atendimento do povo”. Ele sugeriu, também, que é momento de diálogo “para juntos encontremos e derrotemos essa pandemia”.

Ainda conforme a FVS-AM, há ainda outros 144 pacientes internados considerados suspeitos e que aguardam a confirmação do diagnóstico. Desses, 99 estão em leitos clínicos (45 na rede privada e 54 na rede pública), 41 estão em UTI (24 na rede privada e 17 na rede pública) e quatro em sala vermelha.

O ex-candidato à Prefeitura de Manaus e empresário, Romero Reis, disse que a decisão de restringir serviços “não tem o menor sentido”. “Se o governo do Estado, que tem o dever de promover a saúde no nosso Estado, entende que está chegando no seu limite, que convoque a sociedade civil e empresarial para que encontremos uma solução. Mas jamais deixe de atuar para que aja um ambiente adequado para geração de emprego, incentivando sim o desenvolvimento”.

Por fim, o prefeito Arthur Neto comentou que o governador Wilson Lima havia decretado o que ele chamou de ‘lockdown’ em “uma hora errada”. Na oportunidade, ele assimiu que é adepto de medidas mais restritivas, mas que “hoje, o ‘lockdown’ é inoportuno”. “Governador, recue desse decreto. Os comerciantes se endividaram para se capitalizarem. Tem emprego em jogo, desespero no Centro de graça. Suspenda esse decreto! É o apelo que faço”, finalizou.

Na madrugada deste domingo, Wilson Lima adiantou irá publicar um novo decreto com medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19 no Estado. A decisão foi tomada durante reunião, neste sábado (26), no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

“Desde sempre temos buscado encontrar um equilíbrio entre a proteção da vida, a ampliação da nossa rede de saúde e também o funcionamento de atividades econômicas para garantir emprego e renda para as pessoas. Depois de uma longa reunião que nós tivemos aqui com os poderes, com deputados e com a maior quantidade possível de representantes das atividades econômicas, chegamos a um entendimento de flexibilização a partir de segunda-feira (28)”, explicou o governador.

 

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