Políticos que defendiam aglomerações no fim de ano agora pedem oxigênio para o Amazonas

Os políticos do Amazonas criticaram o decreto governamental publicado no final de 2020 e que restringia o funcionamento do comércio, bares e restaurantes para evitar aglomerações

Manaus | AM

Os políticos que utilizaram suas redes sociais para pressionar o governo do Estado a reabrir o comércio no final do ano passado, fazendo com que houvesse um alto índice de aglomeração em várias zonas da cidade, agora clamam por oxigênio nos hospitais de Manaus, diante da grave crise sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19).

No dia 27 de dezembro, o site O PODER publicou matéria em que mostrava a forte pressão dos políticos locais para que o governador Wilson Lima suspendesse o decreto que restringia a atuação do comércio, bares e restaurantes no final de 2020 e início de 2021.

Wilson Lima, seguindo sugestões de Wilker, Romero, Chico, Arthur e Péricles, reabre comércio mesmo sob ameaça de falta de leitos em hospitais

Dentre eles, estava o deputado estadual Delegado Péricles que, inclusive, deletou sua publicação. Na época, ele afirmou que as novas diretrizes prejudicavam diretamente milhares de pessoas.

“É um ato absurdo (…) e que atinge aquelas pessoas que já estão fragilizadas por todo o período que vivemos de pandemia”. Ele destacou, ainda, que era muito mais conveniente atingir “essas pessoas” que cumprem rigorosamente os protocolos de segurança. “Eu frequentei shoppings, lojas, restaurantes e vi que eles atendiam a segurança necessária para combater a Covid”.

Nesta terça-feira (12), ele postou em uma rede social que a falta de oxigênio estaria ocasionando muitas mortes.

No dia 26 de dezembro, o deputado estadual Wilker Barreto (Podemos) postou um vídeo dizendo que o fechamento dos estabelecimentos não-essenciais iria “matar o povo de fome”. Nesta quinta-feira (14), o parlamentar fez um post criticando a falta de oxigênio na rede hospitalar pública.

O ex-prefeito de Manaus, Arthur Neto, também fez parte do grupo de políticos que apoiou os protestos e aglomerações. Também no dia 26 de dezembro, afirmou que o decreto governamental foi publicado em “uma hora errada”. Na época, ele assimiu que é adepto de medidas mais restritivas, mas que “hoje, o ‘lockdown’ é inoportuno”. “Governador, recue desse decreto. Os comerciantes se endividaram para se capitalizarem. Tem emprego em jogo, desespero no Centro de graça. Suspenda esse decreto! É o apelo que faço”, finalizou.

Aparentemente, Arthur mudou de ideia, nesta quinta, quando criticou as mortes por falta de oxigênio e comparou o que estava acontecendo em Manaus às mortes nos campos de concentração na Alemanha nazista.

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