Amazonino não consegue disparar na preferência do eleitorado de Manaus mesmo com o desgaste do ‘novo’

O site O PODER analisou o histórico de desempenho eleitoral do ex-governador Amazonino Mendes, nos últimos 14 anos, e as recentes pesquisas de cinco institutos diferentes realizadas nos últimos dez meses

Manaus | AM

A mais recente pesquisa eleitoral, divulgada nesta sexta-feira (7), pelo Instituto Pontual, confirmou que permanece o cenário de indefinição do eleitorado manauara, para a escolha do próximo prefeito da cidade, como vem sendo registrado a pelo menos dez meses.

Apesar do intenso desgaste da imagem do ‘novo’, resultado da crise política no governo Wilson Lima e da deficiência do sistema de saúde do Amazonas, exposta durante o período mais crítico da pandemia, nenhum candidato ao cargo foi beneficiado.

O mesmo levantamento que apresenta um pulverização dos votos entre diversos candiatos, mostra também que o ex-governador, Amazonino Mendes, que manteve seus aliados na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) capitaneando as ações de desgaste do atual governo, não saiu fortalecido como seu grupo político esperava.

O pré-candidato aparece com 31,7% das intenções de voto no primeiro turno, abaixo inclusive do que conseguiu conquistar nas duas últimas eleições em que teve êxito: a de 2008 (46,21% dos votos no primeiro turno) e a suplementar de 2017 (38,77% dos votos no primeiro turno).

Outras pesquisas

O site O PODER analisou, também, a evolução dos números da disputa pelo resultado dos últimos levantamentos realizados por quatro diferentes institutos de pesquisa, entre novembro de 2019 e agosto deste ano, são eles: iMarketing, Action, DMP, Instituto de Pesquisa Norte (Ipen) e Pontual.

A primeira pesquisa analisada foi a realizada pela iMarketing, no final de 2019, na qual mostra Amazonino liderando a intenção de votos no primeiro turno com 20,1%, dez pontos abaixo do que a história registrou ao candidato em suas participações eleitorais na última década, ainda sem os efeitos da pandemia.

Pesquisa publicada em 25 de novembro de 2019 pela iMarketing (Imagem: Reprodução)

Já em março deste ano, pouco antes do início da crise mundial na saúde, mas com um cenário pré-eleitoral mais concreto, a Action apresentou Amazonino em seu patamar histórico normal de 30,75% de intenções de voto no primeiro turno.

Pesquisa publicada em março deste ano pela Action (Imagem: Reprodução)

A mesma média percentual foi encontrada em outro levantamento realizado, no mesmo mês de março, pela DMP e, ainda que um pouco abaixo, registrou o mesmo cenário próximo aos 30% históricos de Amazonino (26%).

Pesquisa publicada em março de 2020 pela DMP (Imagem: Reprodução)

Nos três meses seguintes, meses críticos da pandemia (abril, maio e junho), o sentimento era que o esforço político de seu grupo ao aproveitar os problemas nas áreas de saúde, que desgastaram profundamente o conceito do ‘novo’, dariam um crescimento considerável ao pré-candidato, o que não se concretizou.

Em julho, o Ipen divulgou novo levantamento para o primeiro turno mostrando que, na prática, o desgaste do conceito do ‘novo’, durante a pandemia, não foi o suficiente para alavancar o eleitorado a embarcar na proposta de Amazonino para retornar à prefeitura.

A pesquisa apurou a mesma média do início do ano, de antes da crise humanitária e política, 29,8% das intenções de voto, dentro da margem de erro do que mostrou o Instituto Pontual com 31,7%, divulgados nesta sexta-feira.

Pesquisa publicada pelo Inpe em julho deste ano (Imagem: Reprodução)

O levantamento do site O PODER fez o cruzamento dos dados apenas da parte que trata do primeiro turno, por entender que, qualquer cenário de segundo turno é precoce pois é uma nova eleição.

Mais que um momento

Segundo os registros dos últimos 14 anos de eleições feitos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) essa ‘prisão’ de Amazonino na ‘casa’ dos 30% de votos vai muito além de 2020.

Em 2006, ao concorrer para o cargo de governador, foi derrotado em primeiro turno por Eduardo Braga, em uma eleição que contabilizou votos por todo o Estado, não só em Manaus onde obteve 40% dos votos (543.412 eleitores). Excluindo o percentual de votos vindos do interior, Amazonino entra na casa dos históricos 30% na capital.

Em 2008, na eleição só em Manaus, como a que vai acontecer este ano, o ex-governador venceu a disputa, em segundo turno, contra Serafim Corrêa. No primeiro turno conseguiu 46,21% dos votos (402.7170 eleitores), 15% acima da sua média, o que pode ser considerado um indicativo do que será necessário conquistar, caso queira ter sucesso na empreitada 2020.

Na eleição para o governo, em 2010, o político não participou da ‘corrida eleitoral’ e, em 2012, que seria sua reeleição, por problemas de saúde que prejudicaram sua gestão lhe atribuindo um de seus piores momentos na política, decidiu também não concorrer. Ficou fora do cenário em 2014 e em 2016, voltando ao cenário na eleição suplementar de 2017, após a cassação do ex-governador José Melo por compra de votos.

Nesta eleição, que também contou com eleitores de todo Estado, Amazonino venceu após dois turnos. No primeiro, entretanto, obteve 38,77% dos votos (577.397 eleitores), quase a mesma quantidade de eleitores que haviam votado nele, 14 anos atrás (543.412 eleitores).

Já no ano seguinte, 2018, concorreu à reeleição ao cargo e manteve a mesma quantidade de votos do ano anterior, no primeiro turno, 32,74%, (579.016 eleitores) e foi derrotado no segundo turno pelo atual governador Wilson Lima.

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